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Mensagem para a Paz 2017

Roma (Itália). Para a celebração da 50ª Jornada Mundial da Paz, Papa Francisco escolheu o tema: «A não violência: estilo de uma política pela paz». O Pontífice afirma: «Nesta ocasião desejo deter-me sobre a não violência como estilo de uma política de paz e peço a Deus que nos ajude, a todos, a alcançar a não violência nas profundidades de nossos sentimentos e valores pessoais. Que sejam a caridade e a não violência a dirigir nossa maneira de tratar-nos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais».
Papa Francisco lembra a atualidade das mensagens dos seus predecessores sobre a paz, recordando a primeira mensagem do Beato Paulo VI dirigida a todos, sobre a paz como o único caminho verdadeiro para o progresso da humanidade. São João XXIII em Pacem in terris fala da raiz da paz, exaltando «o sentido e o amor da paz fundada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor». A paz começa em cada um de nós, quando somos capazes de resistir à tentação da vingança. Através do perdão, as vítimas podem se tornar protagonistas de um processo de não violência, que vai do nível local ao mundial. A não violência como estilo de vida nas decisões, nas relações, na política, em todas as suas formas.
Em um mundo ferido pelas guerras, pelos conflitos e despedaçado, a violência não é o cuidado adequado, porque provoca consequências negativas como a migração forçada, grandes sofrimentos, etc. Papa Francisco convida a mudar perspectiva e colocar os recursos com finalidades militares a serviço dos jovens, das famílias, dos idosos e dos doentes.
O Papa busca no Evangelho (Mc 7,21; Mt 5,44; Mt 5,39; Gv 8,1-11; Mt 26,52; Ef 2,14-16) e na vida dos Santos exemplos de não violência, onde Jesus escolhe a não violência como estilo de vida.
«Quem acolhe a Boa Nova de Jesus, sabe reconhecer a não violência que traz em si e se deixa curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, segundo a exortação de S. Francisco de Assis».
«A paz que vocês anunciam com a boa, tenham-na ainda mais abundante em seus corações». Papa Francisco reconhece o realismo de seu predecessor Papa Bento XVI quando afirma que há muita violência no mundo e acrescenta, com força, que «A não violência para os cristãos não é um comportamento tático, mas sim um modo de ser da pessoa, a atitude de quem é tão convicto do amor de Deus e de seu poder, que não tem medo de enfrentar o mal com as únicas armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”».
A memória dos testemunhos da não violência, como Madre Teresa, Mahatma Gandhi, Khan Abdul Ghaffar, Luther King, a luta das mulheres pela paz, o exemplo de Leymah Ghowee, as mulheres liberianas com o protesto não violento e oração para a conclusão da segunda guerra mundial constituem motivos de encorajamento também para hoje. Nos últimos dez anos, marcados pela queda do regime comunista, não se pode esquecer a oração insistente dos cristãos e de suas ações corajosas, especialmente o ministério e o magistério de São João Paulo II, com a Encíclica Centesimus annus, na qual põe em evidência a luta pacífica dos povos com as únicas armas da verdade e da justiça».
Este caminho de transformação política rumo à paz é possível, em parte, «pelo empenho não violento de homens que, enquanto sempre se recusaram a ceder ao poder da força, souberam encontrar, vez por vez, formas eficazes para dar testemunho da verdade». A luta pela dignidade dos pobres, em favor das vítimas da injustiça e da violência não é um patrimônio exclusivo da Igreja Católica, mas fruto de muitas tradições religiosas. Papa Francisco denuncia com força que «Nenhuma religião é terrorista».
A raiz doméstica de uma política não violenta inicia na família. «De dentro da família a alegria do amor se propaga no mundo e se irradia em toda a sociedade».
«Por isto as políticas de não violência devem começar entre as paredes de casa, para depois se difundir para a inteira família humana». A não violência é um programa e um desafio para a Igreja, para os líderes políticos e religiosos, para todos os responsáveis das instituições internacionais e os dirigentes das empresas e da mídia do mundo todo.

O texto integral: http://w2.vatican.va 

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